TEMÁTICA

Os últimos anos levaram a algumas reflexões sobre o papel do Conforto em Projeto, considerado em seu processo e também como produto. Não há dúvidas de que a busca do Conforto é premissa fundamental para uma boa qualidade ambiental e sustentabilidade do ambiente construído. Nas últimas duas décadas, o ENCAC tem proposto temas indiretamente ligados ao projeto, considerando inclusive o usuário e - por que não? – discutindo o conforto para além da simples questão técnica e quantitativa. Neste sentido, tem se consolidado como fórum de discussão de  aspectos voltados para melhoria do conforto ambiental, eficiência energética, ergonomia e avaliação pós-ocupação (APO). Toda esta temática tem rebatimento e deve ser incorporada nas atividades ligadas à prática projetual e na materialização do ambiente construído.

Sabe-se que os estudos de conforto buscam otimizar a qualidade do espaço construído de diferentes formas, ora por meio do bom uso dos recursos ambientais disponíveis, ora traçando estratégias de climatização passiva, através do desenho de dispositivos ambientais aplicáveis ao projeto. Pondera-se aqui que muitos currículos das escolas brasileiras de arquitetura, surgidas no período da segmentação acadêmica pós-revolução industrial, possuem suas disciplinas de conforto ambiental distribuídas ao longo dos semestres iniciais do curso, separadas, muitas vezes, em conforto térmico, luminoso e sonoro. Suas estruturas apresentam uma grande conceituação e aprofundamentos das questões técnicas e tentam, de diversas maneiras, fazer com que o aluno aplique os conhecimentos desenvolvidos ali em seus projetos arquitetônicos e urbanísticos.

É um grande desafio fazer com que estudantes e profissionais incorporem os princípios de conforto desde os primeiros riscos do projeto. Neste sentido, podemos refletir sobre o modo como os ensinamentos de conforto são repassados durante o processo de ensino. A maneira segmentada de aprender o conforto ambiental pode tornar este conhecimento segregado, dissociado da prática e do processo projetual. Dessa forma, os profissionais arquitetos já formados passam a compor suas produções arquitetônicas e urbanísticas sem estudos integrados de conforto ambiental, muitas vezes encarando a área de conforto como uma especialidade “necessária”, mas não inerente ao projeto. A compreensão do “projetar com conforto” torna-se um aditivo à obra prima, uma espécie de complemento, ao invés da incorporação das estratégias de conforto à práxis do fazer arquitetura e do fazer urbano.

Alinhado a isto, constata-se as inúmeras inovações que têm surgido neste cenário, também contribuindo de maneira decisiva para a melhoria da qualidade projetual e da própria qualidade do espaço construído. Na prática, conta-se hoje com diferentes ferramentas que geram mais possibilidades projetuais e que podem conferir ao edifício maior eficiência em sua fase de uso e ocupação. Consequentemente, podem ser introduzidos, desde a fase do projeto, elementos que beneficiam diretamente o usuário. Novos instrumentos, novos materiais e novas metodologias têm surgido e se consolidado, porém ainda em um ritmo lento e carente de implementações mais expressivas, se considerada a real necessidade na área. A incorporação das idéias de conforto na prática da construção do edifício ainda é uma questão que merece maior atenção e requer verificação de seus reais impactos sociais, econômicos e ambientais. Estimular essa inovação com base em uma reflexão científica parece ser um dos caminhos para a evolução e o crescimento qualitativo do espaço construído.

Neste sentido e considerando as reflexões mencionadas, esta edição do ENCAC promoverá a discussão acerca da incorporação dos princípios de conforto aplicáveis à prática projetual arquitetônica e urbanística. A reflexão sobre esta prática proposta aqui tem como cenário o projeto e a sua prática cotidiana, que deve buscar a inovação, fomentar debates sobre a interação dos agentes, instrumentos e métodos envolvendo o conforto ambiental, eficiência energética, ergonomia e pós-ocupação no ambiente construído, contribuindo para a discussão integrada e integradora com possíveis rebatimentos em uma maior qualidade do ambiente projetado e construído.


Os eixos temáticos trazidos neste ENCAC/ELACAC são descritos a seguir:

ACÚSTICA DOS EDIFÍCIOS E DAS CIDADES
  1.1.1 Acústica de edifícios
  1.1.2 Acústica urbana
  1.1.3 Instrumentação e métodos de medição
  1.1.4 Simulação computacional em acústica dos edifícios
  1.1.5 Desempenho de materiais e componentes construtivos
  1.1.6 Ensino, Pesquisa, Extensão e Estudos de Caso

CLIMA URBANO, PLANEJAMENTO SUSTENTÁVEL E PATRIMÔNIO SUSTENTÁVEL
  1.1.7 Teoria do clima urbano e sua aplicação ao planejamento e projeto urbanos
  1.1.8 Instrumentação e métodos de medição em campo
  1.1.9 Estratégias e critérios de planejamento
  1.1.10 Clima local e suprimento de energia: estratégias para a diversificação da matriz energética urbana
  1.1.11 Regulamentos e legislação
  1.1.12 Simulação computacional em clima urbano
  1.1.13 Planos diretores e planejamento climaticamente responsável
  1.1.14 Ensino, Pesquisa, Extensão e Estudos de Caso

CONFORTO TÉRMICO
  1.1.15 Conforto térmico nas edificações: física e modelos analíticos
  1.1.16 Instrumentação e métodos de monitoramento ambiental
  1.1.17 Ensino, Pesquisa, Extensão e Estudos de caso

DESEMPENHO TÉRMICO, VENTILAÇÃO E BIOCLIMATOLOGIA
  1.1.18 Ventilação natural nas edificações
  1.1.19 Instrumentação e métodos de monitoramento ambiental
  1.1.20 Desempenho térmico de materiais e componentes construtivos
  1.1.21 Experiências de projeto bioclimático
  1.1.22 Sistemas mistos de condicionamento passivo e artificial de edifícios
  1.1.23 Simulação física, numérica e computacional de desempenho térmico e de ventilação natural  de edifícios
  1.1.24 Experiências de projeto bioclimático
  1.1.25 Ensino, Pesquisa, Extensão e Estudos de caso

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
  1.1.26 Auditoria energética de edificações
  1.1.27 Desempenho energético de materiais e componentes construtivos
  1.1.28 Simulação física, numérica e computacional de desempenho energético de edifícios
  1.1.29 Sistemas eficientes de climatização artificial
  1.1.30 Ensino, Pesquisa, Extensão e Estudos de caso

ILUMINAÇÃO NATURAL, ARTIFICIAL E CONFORTO VISUAL
  1.1.31 Iluminação Natural
  1.1.32 Iluminação Artificial
  1.1.33 Instrumentação e métodos de medição
  1.1.34 Integração de sistemas de iluminação natural e artificial
  1.1.35 Simulação física, numérica e computacional em iluminação natural
  1.1.36 Eficiência energética em sistemas de iluminação
  1.1.37 Ensino, Pesquisa, Extensão e Estudos de caso

AVALIAÇÃO PÓS-OCUPAÇÃO APLICADA AO CONFORTO AMBIENTAL E À ERGONOMIA
  1.1.38 Ergonomia no ambiente construído e nos postos de trabalho
  1.1.39 Identificação e análise da Síndrome dos Edifícios Doentes no Brasil e América Latina
  1.1.40 A.P.O. em conforto ambiental
  1.1.41 Levantamento e análise da resposta dos usuários
  1.1.42 Avaliação de qualidade e certificação ambiental
  1.1.43 Ensino, Pesquisa, Extensão e Estudos de caso

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